Drª Claudiane Ela
não é petista,
torce para o Noroeste de Bauru, é loira (risos), brava,
mas trabalhando numa casa de loucos perdemos uns parafusos,
além
do mais a convivência com a diferença enriquece
e dá polimento, vejam o exemplo de dedicação
que é recompensado e percebam que alguns obstáculos
servem de impulso. Lá no CAPS somos a dupla dinâmica,
o Psicólogo e a Psiquiatra .
Meu nome é Claudiane, eu tenho 31 anos e sou médica psiquiatra. Nasci, morei e estudei em Bauru até os 17 anos quando fui estudar em Ribeirão Preto. Na minha adolescência sempre fui uma menina tímida, quieta e estudiosa. Perdi meu pai com 11 anos e a situação financeira da minha família sempre foi apertada. Estudei em colégios particulares em Bauru no ensino fundamental e médio, mas sempre com bolsas parciais ou integrais, conseguidas graças ao meu esforço em ser boa aluna. Sabia que continuar estudando ali dependia do meu rendimento. Quando chegou a época do vestibular, tinha dúvidas sobre o que prestar. Tenho uma única irmã, 7 anos mais velha, formada em Engenharia Elétrica na UNESP de Bauru também com muito esforço pessoal, que sempre foi meu grande ídolo. ![]() Eu também gostava de exatas. Pensei em prestar engenharia, mas não estava certa quanto a isto. A escolha pela medicina talvez tenha partido do desafio que isto significava, embora não tivesse a menor idéia do que seria o dia a dia da medicina e nem pessoas no meu convívio que pudessem servir de exemplo. A preparação para o vestibular foi árdua. Fazia o terceiro colegial pela manhã e cursinho à noite (conseguido também através de uma bolsa de estudo). Estudava diariamente, em torno de 12 horas por dia (somando o período na sala de aula e o estudo em casa). Nos finais de semana, estudava em torno de 4 a 6 horas, mas mantinha uma atividade social nos sábados e domingos a noite com pessoas conhecidas, sem grandes exageros. Sentia falta de manter também uma atividade física na época. Hoje acredito que isto teria me ajudado a relaxar. Nessa época não tinha namorado (embora não faltasse vontade...). Das provas em si, lembro das viagens para prestá-las, da ansiedade que precedia entrar na sala, da conversa com os outros vestibulandos tentando relaxar. Quando o sinal de início era dado, concentração total. Calculando o tempo, deixando as dúvidas para o final e aproveitando cada minuto precioso daquelas 4 horas decisivas. Fui aprovada na USP, UNICAMP e UNESP e em 1995 iniciei o curso na USP de Ribeirão Preto. E aí mais um desafio à frente: sair de casa, mudar de cidade, de rotina, descobrir um mundo novo. O que valeu a pena. E muito. No primeiro ano da faculdade cheguei a ter um período depressivo – talvez não estivesse emocionalmente preparada para tanta coisa nova e diferente. Mas consegui superar e chegar até o final no ano 2000 – e integrar a primeira turma de médicos do século XXI – com muito orgulho, feliz e realizada. ![]() Quando o Rene me pediu para escrever este depoimento, estas vivências de 14 anos atrás pareciam tão distantes... Mas ao recordar para escrever estas linhas o tempo parece diminuir e as sensações ficaram mais vívidas.... Espero que a minha história possa motivá-los e que vocês tenham sucesso e que , de verdade, sejam muito felizes em suas escolhas .... |



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